15 de ago de 2012

                                             Starry Night Over The Rhone - Vincent Van Gogh 

                                                                

                                                                 JABUTICABA



Então fomos para sua praia! Sentamos na frente " de casa ", fim de tarde, brisa, cerveja  ( cabe tudo, porque faz-de-conta )...
Sentada ao seu lado, cadeiras iguais ( dessas de praia, que já se compra de dupla ) . E nessa tarde, nos entregamos às horas, porque elas eram nossas.
Fizemos alguma brincadeira sobre o contraste de nossas cores, após o sol que tomamos de dia, unindo os braços e falando bobagens, palavras de sorrir. E ao soltar os braços, deixamos os dedinhos enroscados um no outro. Um quase descompromisso, ou quase não querer soltar.
E nesse embalo, conversamos de vidas e sonhos. Das que já vivemos e das que estão por vir... Dos sonhos que já sonhamos, os dejavus, e os que queremos sonhar mais ainda.
Reparei em como seus olhos, com a luz do fim da tarde, ficam num tom castanho bem mais claro, tendendo para o mel. A noite: duas jabuticabas.
E quando a noite "jaboticabou", caminhamos até o píer, para ouvir as ondas mansinhas batendo nas pedras e ver o show de estrelas no céu.
Eu sentei, apoiei minhas costas em um dos pilares de madeira e você fez do meu colo seu apoio.
Por alguns minutos, ficamos em silêncio. ( Eu, brincando nos teus cabelos ) Não daqueles silêncios constrangedores, um silêncio bom.
Dois olhares para o mesmo céu: perspectivas diferentes. 
Quebramos o silêncio, juntas, falando sobre o mesmo assunto, em sincronia : a vista do apartamento do sumaré! E isso nos fez rir bastante, um riso que terminou com uma pergunta minha: 
- Sabe do quê eu tenho medo?
- Do que vc tem medo? (posso enxergar e ouvir vc falando e repetindo as palavras ) 
- Do píer ruir com a gente em cima. E vc?
 E você falou de um medo seu, eu falei de outro meu, e assim fomos fazendo um " duelo " de medos.
Resolvemos, juntas, dar um nome para cada medo e escolher uma estrela pra ele.
E até os medos mais difíceis de falar, ficaram diferentes, porque a gente queria logo imaginar um nome bem doido e escolher a estrela!
As estrelas morrem e isso nos confortou. 
Nascem outras, nascem outros medos, e morrem.
 (Agosto/2012)

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