13 de abr. de 2012
12 de jan. de 2012
7 de jan. de 2012
Papillon
4 de jan. de 2012
Romper elos, correntes
Ajustar eixos, lastrear.
Enxergar o que lhe embota os olhos
Atrever-se a plenitude
Transmutar
5 de dez. de 2011
Esfrego até esfolar os dedos
Tudo cheira, exala !
Esboços indefinidos.
Chegou fazendo festa e se foi.
Deixou a bagunça para o anfitrião...
23 de mar. de 2011
22 de mar. de 2011
DesafioLongos, intensos golpes de afrontamento.
14 de dez. de 2010
1 de out. de 2010
29 de set. de 2010
23 de set. de 2010
17 de set. de 2010
13 de set. de 2010
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.
29 de jul. de 2010
5 de jul. de 2010
Ciclo
Parida da desmemória,renasço faminta
19 de jun. de 2010
Carta de Mim
Escrevo pra mandar notícias daqui,dentro de mim.
Faz sol,a tarde caminha para o fim e sorri.Tem nos olhos o brilho de quem espera a noite esperta.
A temperatura é estranha: um misto de cabeça quente,pés gelados e mãos fervendo, inquietas.
A visão é um tanto confusa,embaçada por lembranças recentes,objetos emaranhados nas coisas que anseio por ver.
Ouço música aqui dentro.Ouço também o descompasso,coração atabaque.
A garganta ora liberta o grito,ora tranca e faz um nó,como se quisesse impedir lágrimas.
Lágrimas na garganta,nó nos olhos.
O fluxo do sangue nas veias está normal,mas há que se ter prudência! Nunca se sabe dos congestionamentos do coração.
Mas a tarde ainda me sorri,faceira,convidando pra dançar...E nesse vou - não - vou do corpo inteiro,escrevo notícias daqui,dentro de mim.
13 de jun. de 2010
25 de mai. de 2010
Sal de Fruta

Traga purgante numa taça de vinho.
Depois amarga e sufoca,
Amarra a garganta.
Quantas explicações?
Quantas desculpas serão necessárias
Pra se dar conta,ou então admitir...
Engolido foi seu orgulho, ferido!
Um sal de fruta,por favor?
6 de mai. de 2010

Eu duvido dessa contingência.
E por duvidar,insisto demais...
Mas o tempo esmaga a paciência.
Que brincadeira de mau gosto!
21 de abr. de 2010
Ensaio
Quando escrevo,sonho acordada!
Já experimentou tal prazer?
Edificar absurdos e demolir.
Avançar e retroceder.
Asseverar-se da tua presença e depois rir do desatino...
Talvez, por isso, eu não me entregue:
Para ter as rédeas da fantasia!
Só que, invariavelmente, mesmo lúcida,os que são ocultos me espreitam.
Já experimentou tal prazer?
19 de abr. de 2010
Assim:
13 de abr. de 2010
dorma! Tu pure, o, Principessa, nella tua fredda stanza, guardi le
stelle che tremano d'amore e di speranza.”
O que oculta,lacônica?
Joga-te ao vento,
livre, fugaz nas sendas?
Profere nos sonhos o
que leva no âmago?
Não dorme para não
sonhar...

9 de abr. de 2010

O imprevisto improvisado e fatal me fascina.
Já entrei contigo em comunicação tão forte que deixei de existir sendo.
Você tornou-se um eu.
É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas.
É tão silencioso.
Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois?
Dificílimo contar: olhei para você fixamente por uns instantes.
Tais momentos são o meu segredo.
Houve o que se chama de comunhão perfeita.
Eu chamo isto de estado agudo de felicidade."
2 de abr. de 2010

“...Eu queria tanto estar junto de você para contar minhas experiências,
pois há certos momentos em que o primeiro dever a realizar
é em relação a si próprio.
tive que cortar meus aguilhões –
mas até isso é perigoso,
pois não se sabe qual deles sustenta o edifício inteiro .
Nunca diga : descobri que ainda há muita coisa viva em mim;
mas sim, eu estou viva!
Ouça meu pedido:
respeite a você mesma mais do que aos outros,
respeite mesmo o que é ruim em você -
sobretudo o você imagina que é ruim em você
e não queira fazer de você uma pessoa perfeita –
para mim é esse o único meio de sobreviver.
Pegue para você o que lhe pertence,
pegue tudo o que sua vida exige.
Pois verdadeiramente imoral é desistir de si mesma.
Não pactue com a comodidade de alma:
tenha coragem de se transformar..."
( Carta escrita por Clarice Lispector à sua irmã Tânia Kaufman )
29 de mar. de 2010

Como diz a música de Chico Buarque: “Todo dia ela faz tudo sempre igual, me sacode às seis horas da manhã...”. Assim acontecia com Francisco, que era sacudido às seis horas da manhã, exatamente na hora que, numa sincronia perfeita, tocava o despertador e ele se perguntava: “Por que ela me sacode se sabe que tem o despertador?” Mas ele ainda assim levantava calmo e arriscava um “Bom dia, amor!”. E diferente do que diz na mesma música, do mesmo compositor: “Me sorri um sorriso pontual e me beija com a boca de hortelã...” Não tinha sorriso, muito menos beijo de hortelã; era uma cara enfezada, um cabelo desgrenhado, o cheiro de café vindo da cozinha e ela falando: - Anda Francisco! Homem lerdo... Vai se atrasar, criatura! Francisco e Janilda moravam numa casa boa, casa própria, que ele conseguiu financiar e se orgulhava muito disso. Sonhava em ter filhos, mas Janilda não quis, não gostava de crianças, então Francisco se contentou com o Maroto, um cachorrinho. Ele nunca permitiu que seu amor trabalhasse, deu a ela uma vida de princesa, apesar do adjetivo não condizer muito com o seu comportamento. Quando Francisco se apaixonou por Janilda, todo mundo se revoltou. Dos familiares aos amigos de trabalho, todos tentaram abrir seus olhos, que não só estavam fechados, como pareciam estar costurados. Na fase de namoro, ele a apresentava a todos como “meu docinho”, mas ela não desamarrava a cara, cumprimentava as pessoas com um aperto de mão, esboçava um leve sorriso e não dava uma palavra. Para tudo que ele dizia e pedia sua opinião, ela respondia levantando os ombros como quem diz: “Por mim, tanto faz...”. Era difícil, mas Francisco estava amando, tanto que casou com seu docinho e viveram vários anos juntos. Francisco mudou muito nesse tempo, esqueceu de seus discos do Chico, seus livros, seus amigos, porque Janilda não gostava. Parou de usar seu perfume predileto porque Janilda tinha alergia, parou de tocar violão porque Janilda tinha enxaqueca. Francisco se acomodou, estava bem. Vivendo com a pessoa que amava, tinha sua casa, seu carro, seu cachorro, lidava bem com o “gênio forte” da esposa e não precisava de mais nada. Às vezes, perdia o sono durante a madrugada e ficava observando Janilda dormir. Ela não era uma mulher bonita: baixinha, entroncadinha, cabelo sempre preso... Uma mulher “compacta”, armarinho embutido. Francisco suspirava, olhava e pensava: “Como amo essa mulher...”. E sentia um aperto no coração, algo que incomodava, mas que para ele era a dor de tanto amar. Ninguém entendia, mas Francisco matava e morria por ela. E como diz outra música, também de Chico: “Como fui levando, não sei lhe explicar. Fui assim levando ele a me levar”, Janilda fazia o que queria de Francisco, e assim iam levando a vida; ela imperando e ele sob o efeito do feitiço, um torpor, que ele chamava de amor. Só que naquela madrugada, antes do despertador tocar, Francisco perdeu o sono, sentou na beira da cama e começou seu ritual, de observar Janilda. Mas seus pensamentos começaram a desviar e no lugar de “Ah, como amo essa mulher!”, ele pensava: “Nossa, como Berenice é doce, simpática... Que secretária eficiente... E é tão bonita!” e “Credo, como Janilda ronca,deve ser por isso que acordo toda madrugada...”. E naquela manhã, depois de tomar seu café, dentro do carro, a caminho do trabalho, sentiu como se uma bigorna tivesse caído sobre sua cabeça. Só deu tempo de pensar: “Eu não amo mais Janilda!”, sentiu novamente o aperto no coração e acordou no hospital. A sua direita estava Janilda, brava, e foi logo dizendo: - Ta vendo, teve um infarto! Bem que eu dizia pra você não fumar... Agora só vai dar trabalho! A sua esquerda estava Berenice, sua secretária, segurando sua mão e sorrindo: - Está tudo bem, seu Francisco, o pior já passou. Estarei aqui para o que for preciso. Janilda virou as costas e saiu dizendo: - É bom mesmo que tenha alguém pra o que for preciso, porque estou indo pra casa, odeio hospital! Francisco ficou uma semana no hospital, na companhia de Berenice. Às vezes uma enfermeira avisava que Janilda havia telefonado para saber quando ele teria alta, mas para Francisco isso já nem fazia mais diferença. No dia de sua alta, voltou para casa... E mais uma vez, um pedaço de outra música de Chico Buarque: “Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar. Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar”. E esse jeito mais quente não foi de paixão, mas de revanche. Pegou seus livros, seus discos, seu cachorro e antes de sair, encheu-se do seu perfume predileto e ficou olhando para Janilda. A única coisa que ela disse foi: - Você sabe que tenho alergia... E Francisco, com o peito estufado, respondeu com um sorriso irônico: - Berenice adora! E lá se foi Francisco, deixou Janilda, casa, trabalho e foi morar no campo com Berenice. Abriram uma pousada, tiveram três filhos e Francisco começou a sentir o amor jorrar do seu coração. Descobriu que amar não dói. |












