13 de abr. de 2012




Ah, que saudade...

Saudade de relaxar, sem medos, no regaço terno dos meus pais! 
Eu não devia nada, nem explicações! 
Tinha muitos direitos. Deveres? Na época, me pareciam pesados. Hoje, são motivos de risos. 
Saudade da falta infantil de bom senso, de orgulho. 
Precisava e tinha atenção. E isso era tão natural! Sem protocolos, sem ter que medir as palavras: "Estou aqui,gostaria de "ter você" por perto!" 
Hoje as figuras mudaram, impõem condições. 
Ah,que saudade do regaço terno dos meus pais!

 (19/08/2011)

12 de jan. de 2012


              Tocata e Fuga

A lua caiu em meu quarto 
O meu quarto minguante.
Ela esteve em meus braços, murmurou sua melodia
Seu canto, quase uma prece 
Seu feitiço, pura ironia...
Ora ávida mulher, 
Ora delicada petiz.
Inebriada, esmaeci 
O céu tomou-me a lua!
Avisou:

- Não te iludas…

7 de jan. de 2012

                                 

                                             Papillon

                              Dança a alegria com a mesma ginga que joga com a tristeza.
                              Sabe que a felicidade não é crônica

                              Graceja e os olhos brilham!
                              Encanta com a magnífica retórica

                              Tem nas mãos o desatino e sonha...
                              Faz emulação e provoca despeito a quem prega a normalidade

                              Seria mentira se, em meio a prédios e carros,
                              ruas e cabeças vazias, ela não viesse.

                              E ela veio, porque sempre vem: sutil, porém, certeira.
                              Convidei pra voar e, destemida, aceitou.

                                                                Voamos.

Para Vanessa Bastos

4 de jan. de 2012

Dandelion



Romper elos, correntes 
Ajustar eixos, lastrear.
Enxergar o que lhe embota os olhos
Atrever-se a plenitude
Transmutar

5 de dez. de 2011

               Caos     

Tão impregnado!
     Não desembaça, não apaga…
Esfrego até esfolar os dedos
Nódoas.
Tudo cheira, exala !
Por todo canto,
                    Marcas e sombras
Esboços indefinidos.
                  Cabeças sem corpo
                  Peito sem coração
Chegou fazendo festa e se foi.
Deixou a bagunça para o anfitrião...
Injusto! 
                                                        Essencial.


23 de mar. de 2011

De Ser e Estar ( E outras interpretações)

O dia, pra mim, assim,  dilacera
Prefiro a noite e seu toque suave
Aninhar na madrugada, acordada…

22 de mar. de 2011

Desafio




Duelo descarado de íris e cristalinos
Longos, intensos golpes de afrontamento.
Renúncia...
Cansadas retinas, vencidos
Desnudo, proferiu seu nome
Atingiu-lhe o peito, feito rastilho
Embotou seus olhos e sua razão
E a laureada foi ela!








14 de dez. de 2010



                                Onde Estive

 
Estive na noite, nas luzes, janelas
Falsos brilhantes
Loucuras, mazelas...
Estive nas ruas, castelos e guetos
Com as mãos,
segurei estilhaços de espelho.

Estive nas esquinas, a espera do nada
Com tudo na mente
Na chuva, molhada.

Estive na estrada, sobre rodas, ou não
Milhas de asfalto
Milhas de chão.

Estive em mil braços,
abrigo ou desejo
Nas bocas, sorrisos, doçuras e beijos.

Estive na música, cantigas da moda
Canções de ninar
Nos sambas de roda.

Estive na sua, estive na minha
Retorno plebéia, desejo a rainha!
 

1 de out. de 2010

Fernando de Noronha



















Eu raptaria dos meus sonhos, uma personagem!
Talvez seja ele, meu amigo imaginário, dos tempos de criança?
Ele é pequenino e reina!
Iria com ele porque, de sua boca, ouviria toda a história daquele lugar. Da descoberta aos dias de hoje e porque abriga alí tanta beleza e magia.
E seria tão divertido e interessante ouví-lo contar tudo aquilo, tão sério, com aquele “ar” de sabichão, o dedo em riste!
Através de seu olhar de encantamento, observaríamos as aves e o mar, as flores e o sol...
Perceberia como o som de sua gargalhada, nas corridas e brincadeiras à beira mar, se assemelham com o quebrar das ondas daquela ilha.
Ele pediria, manhoso, para nadarmos. Mas só se fosse junto com os golfinhos! E eu não resistiria.
Voltaria a ser criança e junto com ele, sentiria tudo à flor da pele.
Ao cair da noite, exausta, pediria pra dormir. 

Mas sem antes coroá-lo, infante: Fernando de Noronha

* Para Sra Ambrosina Freitas Paiva e Ana Paula Mendes - Itajubá/MG (30/09/2010)


29 de set. de 2010

Na Órbita






















Canto pra esse cara,
Esse carinha de olhar morteiro...
Sob sobrancelhas densas
É menino matreiro
Na órbita do seu mundo,
Confabula, trama
Transforma Setembro em Janeiro!

Canto pra esse cara,
Esse carinha de idéias fantásticas...
Parece que bebe chuva,
Que se alimenta de mágica!

Na órbita do seu mundo,
Tem prisioneiros e pedras filosofais...
Peço espaço para um sambinha, a minha amizade
Nada mais!

Para Rodrigo Dimas - 29/09/2010


23 de set. de 2010

Mar, sempre mar... 
 























Quais surpresas acoito ?

Quantos espectros e deidades existem dentro de mim?
Paradoxos que eclodem como tapas na cara, ou leves carícias.

Hoje sou barquinho na tormenta, ontem foi calmaria, amanhã não sei...

Sem remos e âncora, deixo-me levar, até encontrar terra firme, porto seguro.

Seguro? Pode ser...

Mas sou barquinho e preciso de mar,

sempre mar...

17 de set. de 2010

                                Falsete
                             Todos os pensamentos                 

              Adormeço e desperto presenteando o nada                                
Desequilibro no meu tom, 

                                                    caio em falsete
                         
               Não cabe tanto ar pra respirar.
 

13 de set. de 2010

Gosto quando te calas











Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.
Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.
Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.
Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.
Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.



Pablo Neruda 

Foto (Juan Pablo De luz y sombras)

29 de jul. de 2010

Borboletas

 
(a due manni)


- As borboletas estão voando!
- Bailam as lindas borboletas...
- Contei dez mil, da última vez
- Diz pra mim: És borboleta também?
- É bem verdade que isso é segredo
- Foi Deus quem as fez...foi Deus que a fez...
- Girando ao redor de nós duas,por todos os lados,Deus pôs as borboletas a bailar...
- Honra a tua beleza,então,menina borboleta...
- Intimamente sinto vergonha de fazê-lo ,compreendes?
- Juro que não...
- Limito-me a minha vontade de voar sem asas...
- Mata a tua vontade e voa...
- Não posso,agora. Preciso enfeitar as asas da imaginação
- Ouve então o que eu digo: Inventa tuas mágicas e não deixe de voar!
- Por que tuas asas são tão grandes e transparentes?
- Quero sempre voar mais alto e passar despercebida !
- Ri,pois, de tua magia ,menina borboleta!
- Sou menina borboleta, e tu? Menina passarinho?
- Tenho em mim um canto alto mas te confesso ainda meu casulo
- Um canto alto que profere nos sonhos...Está no casulo,quando acordada!
- Vim , na verdade, admirar tuas asas,rompendo meu casulo
- Xilique vou ter com você me admirando!
- Zuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuummmm ( a borboleta voou embora )

"Tenho em mim um vôo alto mas confesso meu casulo. Vim , na verdade, admirar tuas asas. Ainda não estou pronta para voar..." ( Ana Fonseca)




5 de jul. de 2010






































Ciclo



Parida da desmemória,renasço faminta
No primeiro sopro e despida,a vida me oferece o seio
Alimenta de liberdade.

Engatinho surpresa e ingênua
Primeiros passos,vacilo
No chão que fiz de miragem.

Enamorada do sol e lua
Desperto jovem,quase adulta
Desposo a felicidade.


Agora vestida de tempo
Carrego lembrança antiga
Balbucio estrelas e durmo
Velha, na tenra idade.

19 de jun. de 2010














Carta de Mim


Escrevo pra mandar notícias daqui,dentro de mim.

Faz sol,a tarde caminha para o fim e sorri.Tem nos olhos o brilho de quem espera a noite esperta.

A temperatura é estranha: um misto de cabeça quente,pés gelados e mãos fervendo, inquietas.

A visão é um tanto confusa,embaçada por lembranças recentes,objetos emaranhados nas coisas que anseio por ver.

Ouço música aqui dentro.Ouço também o descompasso,coração atabaque.

A garganta ora liberta o grito,ora tranca e faz um nó,como se quisesse impedir lágrimas.

Lágrimas na garganta,nó nos olhos.

O fluxo do sangue nas veias está normal,mas há que se ter prudência! Nunca se sabe dos congestionamentos do coração.

Mas a tarde ainda me sorri,faceira,convidando pra dançar...E nesse vou - não - vou do corpo inteiro,escrevo notícias daqui,dentro de mim.


13 de jun. de 2010


















A aparência é calma.
Nada desvela o que ferve internamente.
Dói e faz cócegas.
Só a gente sabe...

25 de mai. de 2010

Sal de Fruta















Traga purgante numa taça de vinho.

Depois amarga e sufoca,

Amarra a garganta.

Quantas explicações?

Quantas desculpas serão necessárias

Pra se dar conta,ou então admitir...

Engolido foi seu orgulho, ferido!


Um sal de fruta,por favor?

6 de mai. de 2010

O Acaso (Do tempo e outras brincadeiras)




















Eu duvido dessa contingência.
E por duvidar,insisto demais...
Mas o tempo esmaga a paciência.
Que brincadeira de mau gosto!

21 de abr. de 2010

Ensaio





Quando escrevo,sonho acordada!

Já experimentou tal prazer?


Edificar absurdos e demolir.

Avançar e retroceder.

Asseverar-se da tua presença e depois rir do desatino...


Talvez, por isso, eu não me entregue:

Para ter as rédeas da fantasia!


Só que, invariavelmente, mesmo lúcida,os que são ocultos me espreitam.


Já experimentou tal prazer?



19 de abr. de 2010

Qual o melhor jeito de unir as três coisas que tanto gosto? Música,imagens e letras?

Assim:


13 de abr. de 2010


Nessum Dorma!





















“Nessun dorma! Nessun
dorma! Tu pure, o, Principessa, nella tua fredda stanza, guardi le
stelle che tremano d'amore e di speranza.”






O que oculta,lacônica?


Joga-te ao vento,
livre, fugaz nas sendas?


Profere nos sonhos o
que leva no âmago?


Não dorme para não
sonhar...









Délire






















Invento sons, flanando em dissonâncias.
Entrego-me a harmonia.
Imagino formas,traços e nuances de cores.
Farto-me de espectros.
Anseio sabores e doçuras.
Tenho na boca o gosto da avidez.
Devaneio versos,poesia.
Sorvo síntese.
Então,meu nome e meus olhos em tua boca.

9 de abr. de 2010


Clarice Lispector em excerto de Água Viva By Denise























" Algo está sempre por acontecer.
O imprevisto improvisado e fatal me fascina.
Já entrei contigo em comunicação tão forte que deixei de existir sendo.
Você tornou-se um eu.
É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas.
É tão silencioso.
Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois?
Dificílimo contar: olhei para você fixamente por uns instantes.
Tais momentos são o meu segredo.
Houve o que se chama de comunhão perfeita.
Eu chamo isto de estado agudo de felicidade."

2 de abr. de 2010

Aventurar-se por esse mundo virtual, onde se participa de orkuts,msns,facebooks e afins,me traz alguns desgostos,mas também muitas delícias, surpresas e alegrias.
Uma dessas delícias foi ter conhecido uma amiga que,diariamente, enfeita meu orkut e email com muita poesia e muitos textos ótimos.
Então...

Clarice Lispector by Denise

























“...Eu queria tanto estar junto de você para contar minhas experiências,
pois há certos momentos em que o primeiro dever a realizar
é em relação a si próprio.
Para vencer minhas repulsas e meus sonhos,
tive que cortar meus aguilhões –
mas até isso é perigoso,
pois não se sabe qual deles sustenta o edifício inteiro .

Nunca diga : descobri que ainda há muita coisa viva em mim;
mas sim, eu estou viva!

Ouça meu pedido:

respeite a você mesma mais do que aos outros,
respeite mesmo o que é ruim em você -
sobretudo o você imagina que é ruim em você
e não queira fazer de você uma pessoa perfeita –
para mim é esse o único meio de sobreviver.

Pegue para você o que lhe pertence,
pegue tudo o que sua vida exige.

Pois verdadeiramente imoral é desistir de si mesma.

Não pactue com a comodidade de alma:

tenha coragem de se transformar..."


( Carta escrita por Clarice Lispector à sua irmã Tânia Kaufman )

29 de mar. de 2010

COMO DIZ A MÚSICA DO CHICO BUARQUE


















Como diz a música de Chico Buarque: “Todo dia ela faz tudo sempre igual, me sacode às seis horas da manhã...”. Assim acontecia com Francisco, que era sacudido às seis horas da manhã, exatamente na hora que, numa sincronia perfeita, tocava o despertador e ele se perguntava: “Por que ela me sacode se sabe que tem o despertador?” Mas ele ainda assim levantava calmo e arriscava um “Bom dia, amor!”. E diferente do que diz na mesma música, do mesmo compositor: “Me sorri um sorriso pontual e me beija com a boca de hortelã...” Não tinha sorriso, muito menos beijo de hortelã; era uma cara enfezada, um cabelo desgrenhado, o cheiro de café vindo da cozinha e ela falando:
- Anda Francisco! Homem lerdo... Vai se atrasar, criatura!
Francisco e Janilda moravam numa casa boa, casa própria, que ele conseguiu financiar e se orgulhava muito disso. Sonhava em ter filhos, mas Janilda não quis, não gostava de crianças, então Francisco se contentou com o Maroto, um cachorrinho.
Ele nunca permitiu que seu amor trabalhasse, deu a ela uma vida de princesa, apesar do adjetivo não condizer muito com o seu comportamento.
Quando Francisco se apaixonou por Janilda, todo mundo se revoltou. Dos familiares aos amigos de trabalho, todos tentaram abrir seus olhos, que não só estavam fechados, como pareciam estar costurados.
Na fase de namoro, ele a apresentava a todos como “meu docinho”, mas ela não desamarrava a cara, cumprimentava as pessoas com um aperto de mão, esboçava um leve sorriso e não dava uma palavra. Para tudo que ele dizia e pedia sua opinião, ela respondia levantando os ombros como quem diz: “Por mim, tanto faz...”.
Era difícil, mas Francisco estava amando, tanto que casou com seu docinho e viveram vários anos juntos.
Francisco mudou muito nesse tempo, esqueceu de seus discos do Chico, seus livros, seus amigos, porque Janilda não gostava. Parou de usar seu perfume predileto porque Janilda tinha alergia, parou de tocar violão porque Janilda tinha enxaqueca. Francisco se acomodou, estava bem. Vivendo com a pessoa que amava, tinha sua casa, seu carro, seu cachorro, lidava bem com o “gênio forte” da esposa e não precisava de mais nada. Às vezes, perdia o sono durante a madrugada e ficava observando Janilda dormir. Ela não era uma mulher bonita: baixinha, entroncadinha, cabelo sempre preso... Uma mulher “compacta”, armarinho embutido. Francisco suspirava, olhava e pensava: “Como amo essa mulher...”. E sentia um aperto no coração, algo que incomodava, mas que para ele era a dor de tanto amar.
Ninguém entendia, mas Francisco matava e morria por ela. E como diz outra música, também de Chico: “Como fui levando, não sei lhe explicar. Fui assim levando ele a me levar”, Janilda fazia o que queria de Francisco, e assim iam levando a vida; ela imperando e ele sob o efeito do feitiço, um torpor, que ele chamava de amor.
Só que naquela madrugada, antes do despertador tocar, Francisco perdeu o sono, sentou na beira da cama e começou seu ritual, de observar Janilda. Mas seus pensamentos começaram a desviar e no lugar de “Ah, como amo essa mulher!”, ele pensava: “Nossa, como Berenice é doce, simpática... Que secretária eficiente... E é tão bonita!” e “Credo, como Janilda ronca,deve ser por isso que acordo toda madrugada...”.
E naquela manhã, depois de tomar seu café, dentro do carro, a caminho do trabalho, sentiu como se uma bigorna tivesse caído sobre sua cabeça. Só deu tempo de pensar: “Eu não amo mais Janilda!”, sentiu novamente o aperto no coração e acordou no hospital.
A sua direita estava Janilda, brava, e foi logo dizendo:
- Ta vendo, teve um infarto! Bem que eu dizia pra você não fumar... Agora só vai dar trabalho!
A sua esquerda estava Berenice, sua secretária, segurando sua mão e sorrindo:
- Está tudo bem, seu Francisco, o pior já passou. Estarei aqui para o que for preciso.
Janilda virou as costas e saiu dizendo:
- É bom mesmo que tenha alguém pra o que for preciso, porque estou indo pra casa, odeio hospital!
Francisco ficou uma semana no hospital, na companhia de Berenice. Às vezes uma enfermeira avisava que Janilda havia telefonado para saber quando ele teria alta, mas para Francisco isso já nem fazia mais diferença.
No dia de sua alta, voltou para casa... E mais uma vez, um pedaço de outra música de Chico Buarque: “Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar. Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar”. E esse jeito mais quente não foi de paixão, mas de revanche.
Pegou seus livros, seus discos, seu cachorro e antes de sair, encheu-se do seu perfume predileto e ficou olhando para Janilda. A única coisa que ela disse foi:
- Você sabe que tenho alergia...
E Francisco, com o peito estufado, respondeu com um sorriso irônico:
- Berenice adora!
E lá se foi Francisco, deixou Janilda, casa, trabalho e foi morar no campo com Berenice. Abriram uma pousada, tiveram três filhos e Francisco começou a sentir o amor jorrar do seu coração. Descobriu que amar não dói.